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Catenzaro 16 anos

Era dia 5 de outubro de 2010. O Brasil havia acabado de votar no primeiro turno das eleições presidenciais e se preparava para o segundo turno que elegeria Dilma Rousseff como a primeira mulher presidenta do país.

Foi nesse momento que recebi o alvará de funcionamento do meu estúdio.

Naquele outubro, Luiz Inácio Lula da Silva estava no fim de seu segundo mandato. Depois vieram Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e Lula novamente. O país atravessou mudanças de governo, conquistas importantes, crises, manifestações e transformações profundas.

Agora, exatamente 16 anos depois, chegamos a outro 5 de outubro entre dois turnos de uma eleição presidencial bastante difícil e acirrada.

Há um simbolismo nessa coincidência. As eleições nos fazem olhar para o que passou, pensar no que desejamos mudar ou manter e escolher por quais caminhos queremos seguir. O aniversário do estúdio provoca em mim um sentimento muito parecido.

Eu aproveito esta data para olhar o caminho que construí até aqui. Relembro os projetos que deram certo e os que deram errado, os momentos difíceis, as mudanças de direção, o recomeçar e tudo aquilo que decidi manter ao longo dos anos.

Quando o estúdio surgiu, a inteligência artificial ainda não fazia parte do cotidiano das pessoas e dos processos criativos como acontece hoje.

Dezesseis anos depois, enquanto vemos tantas imagens geradas automaticamente, as coisas por aqui continuam sendo feitas com o trabalho humano. O papel é escolhido, recortado, posicionado e colado à mão. As composições nascem da observação, da tentativa, do erro e de diversas decisões tomadas durante o processo. 

Foi assim que criei séries de colagens, ilustrações, livros, oficinas e tantos outros projetos. O fazer manual continua sendo a essência e a linguagem do estúdio, que já produziu 565 colagens até agora.

E a cada aniversário, um ritual me acompanha. Todos os anos eu crio uma nova colagem para comemorar mais um ano conquistado. Elas funcionam como um selo de permanência, registrando que, apesar das mudanças do país, da arte, da tecnologia, o estúdio conseguiu completar mais um ciclo. E já são 16!

Ainda não sei quais mudanças o país viverá nos próximos dias, meses, anos. Nem como estarão a arte, a tecnologia e as relações humanas nos próximos aniversários. Sigo acreditando na criatividade como uma força capaz de reorganizar os caminhos, encontrar saídas e novas possibilidades, imaginando aquilo que ainda não existe. Vida longa!